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O território do Concelho do Cartaxo foi, em todas as épocas, um ponto de
passagem para o interior do país, quer por via fluvial (Rio Tejo) quer por via terrestre.
Uma via romana, que partia de Olissipo (Lisboa) a Scallabis (Santarém)
atravessava este território ou muito próximo.
Antes dos romanos, outras civilizações se fixaram na região,
nomeadamente nos castros de Vila Nova de S. Pedro e, na região de Muge.
Os vestígios materiais até hoje detectados, datam da Idade Média, embora, na Lapa,
poderá ser anterior. A importância histórica do Concelho do Cartaxo, pode ainda ser
confirmada por outros factos nomeadamente:
1139-BATALHA DE OURIQUE - A esta batalha ,travada entre Afonso Henriques
e os Muçulmanos, está ligada Vila Chã de Ourique, onde provavelmente , se desenrolou a
luta na qual o Rei Português foi vencedor.
1179- D. Afonso Henriques dá foral a Santarém .Cartaxo pertence ao termo de Santarém,
beneficiando portanto ,deste foral que põe em evidência a regulamentação do vinho.
Durante a primeira dinastia os reis portugueses passavam longos períodos em Santarém.
No território do actual concelho do Cartaxo ,existiam os Reguengos de
Valada e do Cartaxo.
1194- D.Sancho I dá foral a Pontével (1 Dezembro - "Em nome de
Deus. Esta é a carta de convenção e firmeza, que eu Sancho Rei de Portugal, mandei
fazer para vós habitantes de Pontével, fazendo-vos tal convenção e foro, que cada um
de vós de todo o pão, vinho e linho, que agricultar, dará a oitava parte à albergaria
de Pontével..."
Este documento prova que Pontével, no século XII, já era grande centro agrícola, e por
outro lado, permite conhecer os seus principais produtos agrícolas :pão, vinho e linho.
Na exploração agrícola, a cultura da vinha aparece em primeiro plano, desde os
primórdios da nacionalidade, como testemunha variadíssimos documentos medievais.
1225-D.Sancho II faz mercê dos seus terrenos do Reguengos do Cartaxo a Pêro Pacheco.
1300-Estevão da Guarda descreve uma vinha em Valada.
1312- D. Dinis dá foral ao Cartaxo, a 21de Março em Leiria. O Rei
fomenta, pela isenção de imposto, a plantação das vinhas.
1361-1365-A existência de paços reais em Valada está confirmada pela
presença de D. Pedro I e D. Fernando nesta localidade, como testemunham vários
documentos régios datados de Valada e pela doação da lezíria do Galego a Beatriz Dias,
em 1365.
1364-No mês de Maio encontrava-se D. Pedro I nos paços reais de Valada.
1384-Durante as lutas da independência, o rei de Castela chega a
Santarém e instala--se em Valada.
1458-A póvoa do Cartaxo pretende isentar-se da jurisdição de
Santarém, alegando ao rei em favor do seu requerimento, que não havendo ali, no tempo de
D. João I, mais de seis fogos, agora se numeravam mais de noventa.(A.N.T.T, Estremadura,
liv. X.I.I.,fl.193).
O progresso da lavoura na região do Cartaxo coincide com o aumento da população.
1514-Gil Vicente faz referência ao Cartaxo: "Sois Bispo da
Landeira ou vigário no Cartaxo".("Exortação da Guerra")
1521-Na"Comédia de Rubena", Gil Vicente: "Que, como o
vento é de baixo logo a chuva é no terreiro, e o Tejo faz lameiro nas lezírias do
Cartaxo".
A importância do Cartaxo, no século XVI, está bem documentada em vários textos da
época.
1525- No Cartaxo é fundado um convento que pertence à Ordem de S.
Francisco, com a invocação do Espírito Santo.
1622- Nas festas da Companhia de Jesus, em Coimbra, ocupa o primeiro
lugar com charamelas e trompetes "uma folia de oito homens do Cartaxo bem trajado,
que tangiam, dançavam e cantavam muito bem".
1708-A população do Concelho do Cartaxo, segundo António Carvalho da Costa na sua
"Corografia Portuguesa e descrição do famoso reino de Portugal",
distribuía-se do seguinte modo:
O Cartaxo obtém honras de vila em 1656, sendo elevado a concelho em 1851, por alvará
régio de D. João VI , tendo passado a cidade em 1995.
Noutros aspectos, também o concelho do Cartaxo ganha preponderância,
pois já em finais do século XIX, em virtude das inovações tecnológicas introduzidas,
se torna o centro de produção vinícola mais característico do Vale do Tejo, sendo já
famosos os seus vinhos, quer em Portugal quer no estrangeiro.
Referido por Gil Vicente e enaltecido por Almeida Garrett - "Uma
das povoações mais bonitas de Portugal, asseada e alegre...", o concelho do Cartaxo
é ainda berço de ribatejanos ilustres, desde o dramaturgo Marcelino Mesquita ao pintor
José Tagarro.
Região essencialmente agrícola ( vinha, cereais, azeite, pecuária)
em que o urbano e o rural harmoniosamente se confundem, o concelho do Cartaxo oferece
ainda ,ao visitante , a tradicional hospitalidade e simpatia das gentes ribatejanas.
Gastronomia
Representativos da zona do "Bairro", são os variados pratos
à base da carne de porco. Enguias e fataça fritas, sopa de peixe e açorda de sável
são característicos da "Lezíria". Muito apreciado e bem tradicional o
"Torricado" com bacalhau assado . Doçaria: pezinhos de abóbora, bolos de noivo
e coscorões.
Vinhos
Os vinhos do Cartaxo, desde há muito conhecidos e apreciados, são um
produto de alta qualidade. O tinto, o vigoroso "carrascão", vinho encorpado, de
tão nobres tradições, é excelente, como um bouquet inconfundível, autêntico néctar,
com características únicas e ancestrais na viticultura portuguesa. Os brancos, vinhos
frutados, também de reconhecida qualidade, distinguem-se pela sua finura e suavidade.
Feiras e Festas
Feira dos Santos -1 de Novembro
Feira de remotas tradições (os 1ºs registos da sua realização
datam de 1654, calculando-se que seja muito anterior a esta data), muitas das quais
permanecem. Primeira transação do vinho novo do ano, comércio variado, diversões
populares.
Festa dos fazendeiros - Domingo de Pascoela- em Pontével: festa popular, cortejos de
viaturas rurais, concursos de janelas floridas e concurso de pecuária. Festas das
Vindimas em Vila Chã de Ourique:
Neste concelho rural e de grandes tradições vinhateiras, a vinha e o vinho são
popularmente festejados.
"Descobrir o Concelho do Cartaxo através da Rota do Vinho"
Situado na margem direita do rio Tejo, o concelho do Cartaxo é uma
região de contrastes...
CARACTERIZAÇÃO DO CONCELHO
CLIMA:
Clima temperado,moderado,com humidade relativa do ar média anual de 80%,moderando chuvoso
e de Verão quente.Comparando os valores da evapotranspiração potencial e real
verifica-se a ocorrência de carências hidricas acentuadas de Junho a Setembro,a
solicitar a rega sempre que possível.Por outro lado,ocorrem excesso de água na quadra
invernal,o que, em conjunto,justifica a tomada de medidas destinadas ao bom governo do
regime hidrológico,quer evitando os fenómenos erosivos,quer criando condições de
defesa e enriquecimento dos talvegues.
TOPOGRAFIA:
Em termos genéricos,pode dizer-se que o Concelho do Cartaxo abrange duas partes
topográficas distintas:a primeira constitui a planície aluvial que bordeja o Tejo;a
segunda,sobrelevada em relação á primeira, assume a forma depeneplanície pela erosão
e cortada por numerosas linhas de água.A planície aluvial é sulcada por vales de rega e
drenagem e,em parte,defenidapor diques contra os afluentes em ocasiões de
cheias.Os
valores altimétricos não excedem os 40m.
HIDROGRAFIA:
A parte do concelho corresponde à peneplanície é percorrida por numerosas linhas de
água,a maioria de carácter temporário,que afluem ao "Canal da Azambuja"mais
ou menos paralelo ao Tejo rio onde as águas já não são,aproveitadas de modo
significativo na rega dos campos marginais que delimitam o concelho.

VIAS DE COMUNICAÇÃO:
Atravessam o concelho do Cartaxo cerca de 40 km de Estradas Nacionais,E.N.nº 365\2 que
liga a vila do Cartaxo , através da freguesia de Pontével ao concelho de Azambuja dando
acesso á futura auto-estrada do Norte.
A E.N.3-3 eE.N.3-2 que percorrem toda a freguesia de Valada, escoando a riqueza daquela
fértil região agrícola.
A E.N. 3-3 servirá , aliás, de principal eixo rodoviário da zona Industrial do Cartaxo.
Para além das E.N.,o concelho do Cartaxo é igualmente percorrido por cerca de 80 KM de
Estradas Municipais podendo-se considerar a existência das Estações Ferroviárias de
Santana, Ponte do Reguengo ( linha do Norte) e o importante no Ferroviário do Setil (
linha do Norte e L este).
OCUPAÇÃO DO SOLO : Segundo elementos colhidos na última carta cartográfica do concelho
os 15.828 ha. que o formam apresentavam a seguinte repartição : culturas agricolas
11.892 ha; culturas florestais, 2.121ha; associações agro-florestais, 354 ha; área
social e incultos, 1.461ha.
Sendo o concelho do Cartaxo, uma região de contrastes, o visitante vê-se confrontado com
dois itinerários distintos: o primeiro compreende o território das freguesias do
Cartaxo, Vale da Pinta , Ereira , Lapa, Pontével e parte de Vila Chã de Ourique e é
dominado por "BAIRRO".O segundo,estende-se pela freguesia de Valada e parte da
de Vila Chã de Ourique e de Pontével,denomina-se por "Campo".Estes dois itenerários
oferecem duas paisagens rurais diversificadas,onde predominam as vinhas,que variam de
tonalidade,conforme as castas e as estaçõesdo ano.
A paisagem do "Campo",onde para além da vinha(vinho branco de alta
qualidade),se cultiva o trigo,o milho,o arroz,o tomate,o melão e produtos
hortículas, mistura-se com o rio Tejo, que se apresenta como se fosse moldura que envolve
os campos do Cartaxo, na parte sul do concelho. O "BAIRRO", igualmente,
coberto de
vinhas(vinho tinto de alta qualidade)e algumas searas de trigo e olivais, ainda conserva
moinhos de vento últimos vestígios de uma indústria rural, que aproveita energia
eólica.
FAUNA:
A abundância de pastagens naturais nas margens do rio Tejo favorecem a criação de gado,
destacando-se o cavalar e o bovino. É igualmente tradicional, a criação de
bovinos, caprinos, suínos e de galináceos.
Segundo os documentos medievais, no termo de Santarém existem veados, gamos, cervos,
porcos monteses, raposas, etc.
A fauna venatória ainda apresenta: coelho, lebre, pato, pombo, graça, galinhola, perdiz,
rola, cordoniz, maçarico, tordo...
Quando á fauna piscícola existente nas águas do Tejo, pescam-se ainda, as seguintes
espécies: barbo, boga, carpa ,enguia, fataça,ou taínha,

O MUSEU RURAL E DO VINHO,entrou em funcionamento a 23
de Novembro de 1985 e encontra-se situado na Quinta das Patas, propriedade municipal
seu
do estado de conservação é bastante bom,j á que os vários espaços foram totalmente
recuperados e adaptados para este objectivo. A temática principal deste museu é a
agrícola, mais concretamente a temática vinícola.O seu património deve-se à
necessidade de preservar e valorizar o património do Concelho e é também o culminar de
conhecimentos: e experiências de outros países europeus há já longo tempo pioneiros neste
tipo de Ecomuseus.
O MUSEU RURAL DO VINHO não se reduz a uma simples amostra de peças espalhadas ao longo
das salas, evocativas da vida dos camponeses da região, mas mas sim a um espaço onde se
encontram englobados todos os testemunhos materiais e espirituais que nos ajudam melhor a
compreender a organização e os métodos de vida das populações do município do
Cartaxo ao longo dos tempos.

Grande parte do espólio do museu foi adquirido a um agricultor do
Concelho, que possuía uma vasta colecção particular e ainda algumas ofertas ou
empréstimos(em depósito)de vários agricultores da região.
Este espólio caracteriza-se por vários objectos e documentos ligados à história e à
vida agrícola do Concelho.
O museu possui cerca de 15 salas, três das quais estão destinadas a exposição
permanente, duas para a recepção, quatro salas de reservas sendo as restantes destinadas
a projecção de slides, reuniões, direcção e serviços, gabinete de estudos, arquivo e
alpendre onde se encontram a exposição de alfaias agrícolas.
De registar que nos 22 ha. que a Quinta das Pratas possui, para além
do complexo museológico, o restante espaço está preenchido com jardins, pomar e vinha
sendo aí vendidos a sua fruta e o seu vinho e ainda aves exóticas e artesanato local.
Existe ainda uma taberna típica, recriada com intuito de ilustrar um
espaço de convívio outrora na vida da comunidade rural.
Durante os dois primeiros anos de existência, passaram por ali cerca
de 18 mil pessoas, nomeadamente estudantes, organismos socioeconómicos e recreativos.
Até agora o seu objectivo tem vindo a ser cumprido. Trata-se de uma obra de invulgar
qualidade quer cultural, quer didáctica, sendo este museu único no nosso país.
Este projecto iniciou-se na sede de concelho - Cartaxo -, mas ambiciona
expandir-se às restantes freguesias do concelho, através da criação de núcleos
locais.
Neste momento já existe o "embrião" do núcleo da Ereira e
já está em preparação o da freguesia da Lapa.
Ainda no Cartaxo, existe uma Colecção de Miniaturas do Ateneu
Artístico Cartaxense, representando as Artes e Ofícios da cidade do Cartaxo.
EREIRA:
O Museu Rural da Vinha e do Vinho do Concelho
do Cartaxo, iniciou já um importante objectivo: a sua descentralização.
Assim, a Ereira está a construir o seu núcleo
do Museu Rural da Vinha e do Vinho, que tem sido fruto de várias pesquisas efectuadas na
freguesia.
"É o passado que vem até ao presente,
para relembrar às gentes as raízes da sua própria identidade, fruto de séculos de
trabalho laborioso e contributo de gerações de Ereirenses, para o engrandecimento da sua
terra.
O núcleo da Ereira do Museu Rural da Vinha e
do Vinho, constitui ainda um primeiro passo para a criação de outros núcleos que
hão-de surgir no Concelho do Cartaxo."
A Batalha
de Ourique

Qualquer referência histórica sobre Vila Chã de Ourique implica a
obrigatoriedade de se aludir à Batalha de Ourique ocorrida em 25 de Julho de 1139. Esta
como sabemos, é um ponto polémico da historiografia portuguesa. Por um lado, ainda não
se sabe qual foi o verdadeiro local onde se desenrolou a batalha, e por outro, além de se
desconhecer o marco histórico que ela representa em relação a Portugal, subsistem as
dúvidas, se os documentos históricos encontrados e analisados, não foram distorcidos
pela lenda e pela tradição. Como dissemos, não iremos adiantar nada ao que já se sabe
sobre a batalha. Neste ponto iremos sim, sintetizar sumariamente, as diversas posições
que existem sobre a localização da batalha.
Alexandre Herculano admitiu que ela se tivesse travado no Baixo
Alentejo, no actual concelho de Ourique. Borges de Figueiredo propõe Ourique em Lisboa,
enquanto Dr. José Saraiva aventou a hipótese de ela se ter desenrolado na freguesia de
Cortes a 7 km. de Leiria, numa propriedade conhecida por "Campo de Ourique".
David Lopes contraria a hipótese de Alexandre Herculano afirmando que apesar de concordar
que ela se tivesse dado "no coração da terra dos mouros", considerava uma
temeridade imprópria de Afonso Henriques deslocar-se até tão longe da sua própria
fronteira (Leiria - Ourém - Tomar), quando a linha do Tejo (Lisboa, Santarém) estava
ainda em poder dos inimigos. Por estas razões, David Lopes excluiu tanto os Ouriques de
Almodôvar para Sul do Tejo, com os Ouriques situados a norte da linha Leiria - Ourém -
Tomar, inclinando-se para o campo de Chão de Ourique, actual Vila Chã de
Ourique.
Foral do Cartaxo,atribuído por D.
Dinis, em 21 de Março de 1312
Don Diniz por
graça de Deos Rey de Portugal e do Algarve |
Aquantos esta
nossa carta virem Faço saber que eu emsembre |
com minha Mulher
a Rainha Dona Izabel como Infante Don |
Affonso nosso
filho, primo herdeiro, dou e outorgo a foro pera todo |
sempre a Joham
Cavalleiro e a Lourenço Paes e a Vasco Geraldes |
e a Vicente Gil
e a Miguel Domingues, do Ardel, e a Gil Fernandes |
e Affonso
Fernandes e Lourenço Mendes e a Joham Affonso e a |
Dominguos
Vicente e a Joham Paaes e a Vicente Paaes e a joham |
Parceiro de Vale
da pinta e a Domingos Martins da Arofana , e a Joham |
do Reguo e a
Fernam Paaes do Vale da pinta, e a Payo Gonçalves e |
a Payo Vicente
do Ardel, e a Dominguos Domingues e Affonso |
Pires e a todos
os seus socessores que depoz elles vierem, todo o meu |
luguar do
Cartaixo, termo de Santarem que êlles façam hy pobra por |
tal preito e sob
tal condiçam que êlles dem mim e todos meus sob- |
cessores em cada
hûu ano a oitava parte do pam e do vinho e do |
linho que Deos
assy der a salvo, convem a saber, o pam na eira, e o |
vinho no lagar e
o linho no tendal, e dos montes maninhos que |
romperê nom dem
foro delles nenhûn do dia que os começarem a |
romper atee tres
anuos compridos; e outro sy das vinhas que fizerem no |
dito Loguo nam
dem foro dellas os primeiros cinco annos, e |
passados os
ditos tres annos dos montes maninhos que romperem e os |
cinco annos das
vinhas e des alli adiante daram em todo foro com- |
prido como de
susso dito he e se hy mais homês vieram provorar e |
morar no dito
Lugar ca estes faram o dito foro compridamente co- |
mo de susso dito
he, e todolos que morarem e povorarem herdades |
devem fazer na
dita pobra booas casas e bons corraes bem larguos |
e mando e
defendo que nenhû nom seja ousado que lhes faça mal |
nem força, nem
esbulha, nem lhes filhe do seu sem seu grado nenhu- |
ma cousa sob
pena dos nossos encontos de seis mil soldos,.../... |
Figuras Célebres do
Cartaxo
Cosme Delgado
Compositor português (Cartaxo, séc. XVII).
Cantor e mestre-de-capela da Sé de Évora, alcançou como pedagogo e
compositor. Deixou por testamento todas as suas obras, manuscritas, ao convento do
espinheiro, nos arredores de Évora, pelo que se perderam aquando da extinção das ordens
religiosas(1834).
Compôs missas, motetes e lamentações e escreveu um Manual de Música. É tido como o
mestre de Manuel Mendes, o primeiro dos grandes polifonistas clássicos portugueses.
João Jorge Maltieira
Pintor e professor do ensino técnico, nascido no Cartaxo, a 13-8-1908.
Tem o Curso Superior de Pintura, da Escola de Belas-Artes, de Lisboa. Exerceu os lugares
de professor nas Escolas Industriais de Domingos Sequeira, em Leiria; Brotero, em Coimbra
e Faria Guimarães, no Porto. Dirigiu também o curso da Escola de Belas- Artes, na
Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa. Foi vogal, Director da Sociedade Nacional de
Belas-Artes, director artístico da Exposição da Feira do Ribatejo, que se realizou no
Cartaxo. Tem sido premiado muitas vezes, pela Sociedade de Belas-Artes com menções
honrosas, 1ª e 2ª medalhas. Conquistou, também, o 1º prémio no «saloon» do Estoril
e o prémio Ferreira Chaves da Academia de Belas-Artes, assim como o 1º prémio Roque
Gameiro, do S.N.I.. Existem trabalhos seus no Museu de Arte Contemporânea, de Lisboa, na
Sociedade Martins Sarmento e Museu Alberto Sampaio, em Guimarães; no Museu de Gouveia;
nas Câmaras Municipais de Braga e Vila Viçosa; na Casa de Bragança, em Vila Viçosa; na
Pinacoteca Brasileira, em Lisboa, e na Associação Comercial de Leiria. Colaborou com
diversos artistas nos trabalhos para a Exposição de Sevilha e X Ano da União Nacional,
em Sintra. Foi pintor de azulejo na Fábrica de Sacavém, Olaria Alcobaça L.da., Santana,
Lisboa, Viúva Oliveira, Coimbra, etc.. Tem realizado diversas exposições pelo país e
concorreu com trabalhos a óleo `Exposição de Moçambique, Rainha Santa, em Coimbra,
Santarém, 1º Salão Internacional de Aguarela, em Madrid etc., e fez parte da missão
estética (3ª) em Alcobaça. Tem colaborado nos jornais Diário de Lisboa, O Século,
Estudos do Museu Alberto Sampaio, Armas Brancas de Pindela, Revista Gil Vicente, Arte
Portuguesa, etc.. Foi campeão regional do Sul, de saltos em altura, em 1928, e fez parte
da selecção atlética portuguesa que se deslocou a Pontevedra para enfrentar a
selecção espanhola. Foi professor de ginástica no Ginásio Clube de Leiria.
Marcelino Mesquita
Marcelino Mesquita nasceu a 1-9-1856, no Cartaxo.O seu nome completo é Marcelino António
da Silva Mesquita. Frequentou a escola primária com a professora «Dona Afonso». Em 1882
já escreve no diário ilustrado, com o pseudónimo Membo Abbade. Depois, em 1884, termina
o Curso de Medicina com uma tese sobre a histeria. Em 1886-88 fixa-se no Cartaxo.Compra a
tipografia Cartaxense e o jornal "O Povo do Cartaxo" e muda-lhe o nome para
"O Cronista". É o seu redactor único desde o nº 1,de 23-05-86,até ao nº118
de 23-12-88. Continua a frequentar os meios Lisboetas
José Tagarro
Notável pintor , nascido em 30\3\1902 no Cartaxo morreu em Lisboa a 12\7\1931.
Ingressou na Escola de Belas-Artes de Lisboa a 4\10\1919, depois de ter feito o antigo
curso preparatório de Desenho e Pintura na escola-oficina nº1 da capital. Inscreveu-se
nos cursos de pintura e escultura mas parece ter desistido deste último pois só se
encontram registos de lições que lhe foram ministradas por Columbano e Carlos Reis.
Enquanto seguia a sua carreira escolar, revelava-se,para o grande público, como um
desenhista cheio de vigor e personalidade, ilustrador de merecimentos invulgares e pintor
forte e original.A sua extraordinária sobriedade e um trabalho pobro e incansável granjearam-lhe,
em breve, renome e consideração geral da crítica e entre os seus colegas que o
estimavam também pelas suas excepcionais qualidades morais e de carácter.
Figura importante da "segunda geração" dos modernistas portugueses,
manteve-se, porém, dentro de moldes perfeitamente clássicos, nos desenhos exemplares que
o definem já historicamente e, nos quais, se exprime um entendimento, esteticamente
actualizado de Ingnes. Um traço de extraordinária firmeza, que percorre e modula as
silhuetas e marca discretamente os pormenores interiores, absorvendo certos jeitos mais
precisos no tratamento sensual de bocas e olhos, caracteriza a obra de Tagarro, que, em
numerosos retratos (" Roque Gameiro", "F. Reys Santos", " Ana
Sotto Mayor de Macedo"), tem uma dignidade que em vão se pretendeu imitar.
A pintura que deixou é mais frouxa, procurando por vezes apoio nos contornos ( lembrando
então Hodler e certas ilustrações da época ) mas o " Auto-Retrato" (1929,
Museu Nacional Soares dos Reis ) anuncia uma força expressiva original.
Colaborou com relevo na Civilização, de Ferreira de Castro,Seara Nova e ilustração,
Magazine Bertrand e Voga, direcção de João de Sousa Fonseca, além de outras revistas
de Arte e Letras. Expôs regularmente nos certames da Sociedade Nacional de Belas-Artes e
realizou exposições individuais, muito elogiadas em Lisboa e Porto, nos anos de 1928,
1929 e 1930. Também apresentou trabalhos de vulto na exposição dos Independentes em
1930 e no Salão de Outono. Em 1929 viveu em Paris, onde se aperfeiçoou notávelmente na
técnica e estudou provavelmente com os melhores mestres. Foi principalmente um retratista
vigoroso e de enormes qualidades, tendo a sua morte, ocorrida em circunstâncias muito
penosas, após uma melindrosíssima operação no Hospital dos Capuchos, de Lisboa,
causado sincero pesar nos meios artísticos pelo que os seus colegas organizaram, em 1932,
uma brilhante exposição retrospectiva da sua obra cujo catálogo foi prefaciado, num
preito de Figueiredo, pelo ilustre crítico de arte , Dr. José de Figueiredo, director do
Museu Nacional de Arte Antiga, que era um dos seus mais sinceros admiradores. Com o nome
de "Prémio José Tagarro", institui o S.N.I. em 1945, um prémio anual de
desenho para o melhor trabalho apresentado.
BIBLIOGRAFIA
CONSULTADA:
Carta Geológica de Portugal
G. ZBYSZEWSKI
Lisboa 1935
Cartaxo, o concelho em que vivemos
Edição da Câmara Municipal do Cartaxo- 1997
O Concelho do Cartaxo
Renato Campos
Junta Distrital de Santarém
Dezembro de 1975
O Concelho do Cartaxo - a gente, a terra e o produto
Campos, Renato
Edição da Junta Distrital de Santarém
CARTAXO, Pensar, Viver, Preparar
Coisas de História - História de Coisas
Câmara Municipal do Cartaxo,1997?
Contos do Tejo
Arrais Vicente
Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Junho de 96
Contribuições para uma Bibliografia sobre o Vinho
Câmara Municipal do Cartaxo
Junho de 1988
Cozinha Regional
Escola E,B 2+3 do Cartaxo
24 de Janeiro de 1995
Foral do Cartaxo, 2 de Março de 1312
679º aniversário 21de Março de 1991
Câmara Municipal do Cartaxo.
Para a História do Concelho do Cartaxo(1800-1835)
António Pedro Manique, José Subtil
Câmara Municipal do Cartaxo
Dezembro de 1995
Nota Introdutória
Câmara Municipal do Cartaxo
Junho de 1988
A Terra onde Vivemos
Câmara Municipal do Cartaxo
Janeiro de 1978
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